Costumavas andar pelos cantos, pelo becos
pelas bocas, pelos lados mais escuros da cidade
bradando todo tipo de discurso, colhendo augúrios
absorto em tua vasta gama de maldades
E teorias, alegorias, protestos
do mais refinado embasamento
dos mais infalíveis argumentos
que já se viu.
Tabus e dogmas em meio a porres de arsênico
oscilando entre o moralista e o esquizofrênico
mas tua rebeldia de nada valeu
e pra nada serviu.
Muitos capítulos depois e ainda caminhas
pelos cantos cometendo os mesmos delitos,
mais sujos e graves, lances com pequenas garotas,
latrocínio ou talvez menos - talvez blefe
no entanto um novo fascínio
me cresce.
A vontade de subir no palco por detrás
dos panos e desvendar:
mero inconformismo provinciano
ou incógnita mais inquietante
que há?
Diante de mim, atalhos
estreitos, parapeitos
vielas, ruelas, passarelas
em que caminhas.
Diante de mim, árdua tarefa
de ler em tuas entrelinhas.
21/11/2008
