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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

TRAPOS

Quero que cesses de existir
que te percas, desintegres
que deixes de me agredir
com as efemérides de
tuas hélices, teus cálices
frágeis demais, ruidosos demais
para minhas ogras ásperas mãos
colossais.
Com teu âmago, tua essência,
com tua mera existência envernizada.
Preciso que vás, que partas
imediatamente
encontrar tua manada encontrar
tua gente ou coisa que o faça
saciar.
Se é que em algum lugar, algum quasar
habita bicho da tua raça.
Não demores, aproveite o estio.
E que vás por terra cavalo trem ou navio
para longe, para onde eu nunca vá te cruzar.
Pra Marte, pra sorte, prum outro norte.
Pra fora, pro raio, pro Taiti.
Distante daqui.
Só quero que sumas e saias
e caias
no mundo. o buraco mais
profundo.

Quanto mais inóspito
e insólito destino
mais trituro, dissolvo
e regozijo.

Tive ideia melhor:
vá voando. Tu e tua cabeça 
de balão. Segue tua procissão.
Some do meu campo de visão.


(2008)