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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

rosa-dos-ventos

Gentil bucolista,
em tua existência gentil (que só agora descortino)
és a mais terna das criaturas.
Desde que lembro de ti, lembro de teus olhos também gentis e
tua atmosfera de dríada a colher macelas nas macegas, calmamente.
Sempre de uma calma espantosa e o silêncio como de um sábio
que domou a virada dos anos com arguta precisão.
Lembro de te perscrutar minuciosamente
do topo de minha pouca idade (embora jamais desconfiasses)
contando tuas lágrimas momentos antes de ganharem moldura.
e admirando-te - não pelas lágrimas, mas também por elas.
Quase esqueço que lembro tanto
de teus arbustos caleidoscopicamente coloridos
num tempo beirando o mesozóico. Dói buscar tua face
ninfa de tantas matizes e tons aquareláveis
Donzela de reminescências e dentes-de-leão
begônias em guirlanda, canela-merda, carrancas
e vasinhos. Mistérios em tom maternal esculpidos e prostrados
corrimão acima na escada do sótão ou no jardim-de-inverno.
Desde cedo te reconheci, só muito mais tarde
te soube: és uma de nós.
Do nome aos pés és rosa, furtacor,
Sou luz. Abraço-te.