Às vistas de quebrar o gelo
aparadas as arestas da cordialidade
Isis sem véu, de rosto erguido
sedenta pelo elixir da imortalidade.
Soberana máxima de si mesma.
Não teme mais nada.
Aposta no solavanco, nada mais a detém.
Mulher brusca que nunca foi.
Mulher-bruxa de sangue quente.
Agora se revela e se escancara.
Se encara, o demônio espelhado.
Duplo de si mesma.
Peça expressiva de uma revolução silenciosa.
Agora reinventa, se enfrenta em larga escala.
Não teme as flechas contra ela projetadas.
Sente-se alta, incólume, protegida.
Pelas cicatrizes que carrega como flâmula
que ostenta e se faz sustentar, de pé
olhando de cima sem qualquer receio.
Amazona já assumida, amputa o seio.
Cavalga impetuosa com frenesi de leoa
em caça - a rainha das emboscadas -
perita em camuflagens que renuncia
à sua própria pelagem
e se vê estranha, e se disfarça:
nem ela se reconhece mais.
