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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

GALANTISMO

Caríssimos convidados: um brinde aos carnavalescos rancores que compõem esta gala!
Os delírios da estética! Às solenidades tantas! No decorrer desta, e muito antes que termine, apontaremos os distintos culpados com a mesma graça daquele que desconhece o crime da própria beleza. Antes, alguns pormenores. Inicia-se o banquete. Eis o menu de entrada: as frugalidades, os exoticismos. Eis o requinte dos manjares! - mas a náusea supera a fome. Eis a divina sopa de mexilhões! - mas o asco paira na boca retorcida. Empanturro-me desta má literatura que, mesmo quando não perversa, amola a fina faca por debaixo da mesa, e firo as mãos na lâmina quando em vão tento contê-la. Uma espera que espeta - um garfo de prata oculto sob a manga. Pois já que estou sendo, e na gala antiga já não caibo, continuarei a ser, simplesmente. Assim mesmo como me vêem. E o sorriso é débil, caríssimos convidados. As rugas já denunciam. Eis uma serpente desnuda. Olhai-me com compaixão, queridíssimos.