Na encosta do mar
as rochas se lamentam
quando surge o dia
e incendeia-lhes o corpo
Como se não bastante
o fardo de haver fincado
raízes mais profundas
que o próprio chão
e brotar num lugar errado
Entretanto, o sol não as detesta
se as castiga é por pura sina
não lhe compete o destino estático
destas pobres peças
Mas tudo aquilo
o que não é errático
nem cede ao acaso
ofende o brilho do sol
com a força de um espelho