I
Lágrima, suor, esperma
Sou eu, teu excesso de peso
Teu líquido derramado
Escorro de tuas mãos
Saiba conter-me
Armazenar-me
para tempos difíceis
no gozo da surdina
Um charco. Um oásis
translúcido. Sou eu
tua líquida miragem.
II
Há uma selva ao redor: procura
Tua presa mais nobre
Da mais alto estirpe
Denuncia-me
O balançar da folhagem
Ao que devoras meus rastros
Eis minha cabeça: pendura
Lá, hei de permanecer. Incólume.
III
Meus grãos escorrem
por entre os vãos
de teu desértico corpo
Adentrando tuas fendas
os poros de tua existência
Indeléveis
Partículas que se acumulam
Em tuas dobras
Montículos de mim
