Lendária personagem feminina dos romances de cavalaria, de uma grande beleza mas às vezes transformada em serpente. Gênio da família dos Lusignan, ela aparecia na torre do castelo e soltava gritos lúgubres a cada vez que um Lusignan ia morrer. Um romance do século XV popularizou a lenda: uma fada de beleza maravilhosa promete a Raimondin fazer dele o primeiro figurão do reino se ele aceitar desposá-la e jamais vê-la aos sábados. O casamento é concluído, a fortuna e os filhos coroam a união dos dois. Mas o ciúme se apodera de Raimondin, a quem fazem acreditar que sua mulher o enganava, e este, através de um buraco na parede, vigia Melusina que, em um sábado, se havia retirado para o seu quarto. Ela toma um banho e ele descobre que ela é metade mulher e metade serpente, como as sereias eram metade peixe e metade pássaro. Raimondin se acaba de dor, Melusina traída voa, sem deixar de clamar o seu penar em gritos aterradores na torre do castelo. Essa lenda, que lembra o mito de Eros e de Psique, simboliza a morte do amor por falta de confiança ou pela recusa de respeitar no ser amado a sua parte de segredo. Também se pode ver aí a desintegração do ser que querendo ser lúcido a qualquer preço, destrói o próprio objeto de seu amor e perde ao mesmo tempo a sua felicidade. Na via de sua individualização, ele não soube assumir os limites do inconsciente e do mistério, sua sombra, sua animalidade, sua parte de obscuro e desconhecido.
- Lucas Schlemper
Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur
Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"
MELUSINA
Lendária personagem feminina dos romances de cavalaria, de uma grande beleza mas às vezes transformada em serpente. Gênio da família dos Lusignan, ela aparecia na torre do castelo e soltava gritos lúgubres a cada vez que um Lusignan ia morrer. Um romance do século XV popularizou a lenda: uma fada de beleza maravilhosa promete a Raimondin fazer dele o primeiro figurão do reino se ele aceitar desposá-la e jamais vê-la aos sábados. O casamento é concluído, a fortuna e os filhos coroam a união dos dois. Mas o ciúme se apodera de Raimondin, a quem fazem acreditar que sua mulher o enganava, e este, através de um buraco na parede, vigia Melusina que, em um sábado, se havia retirado para o seu quarto. Ela toma um banho e ele descobre que ela é metade mulher e metade serpente, como as sereias eram metade peixe e metade pássaro. Raimondin se acaba de dor, Melusina traída voa, sem deixar de clamar o seu penar em gritos aterradores na torre do castelo. Essa lenda, que lembra o mito de Eros e de Psique, simboliza a morte do amor por falta de confiança ou pela recusa de respeitar no ser amado a sua parte de segredo. Também se pode ver aí a desintegração do ser que querendo ser lúcido a qualquer preço, destrói o próprio objeto de seu amor e perde ao mesmo tempo a sua felicidade. Na via de sua individualização, ele não soube assumir os limites do inconsciente e do mistério, sua sombra, sua animalidade, sua parte de obscuro e desconhecido.