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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

DIABOLISMO


Pretendo arrancar para fora de mim, com força de sucção, colares de contas como pistas disfarçadas, retoques de servidão inócua, votos de submissão a gurus tartufos, mulheres de burca a banhar-se no oceano, vulcões que implodem, bacias hidrográficas embaralhadas, cursos d'água desviados, mapas tortos, múltiplas versões de uma mesma estória, fatos verídicos, fatos fictícios, a poesia murcha, as veias escuras que norteiam o texto sobre a pele do papel, os encontros inevitáveis, os destinos predestinados, os sonhos remetidos pelo correio, as serpentinas que vendam os olhos, as pérolas pelas quais matei, o embuste do romance pós-moderno, a starlet arruinada, a santa com verminose, o horror das notícias televisivas, o pandemônio das aglomerações, o rito da boa vizinhança, a mantença do círculo social, amargura de Dorothy Parker, livros devorados, insetos tropicais, fascículos sobre um mesmo tema, interações de ordem química, as paixões explosivas, os galantes inveterados, os trapézios, os saltos mortais, o gosto pelo risco, o fascínio por bestas conjuradas, os tetos, as paredes, as cúpulas e as clausuras, os séquitos ruidosos, os sinos de igreja, as recordações da cidade natal, a esquisitice, a falta de costume de hábito e molde, o não-nascer para isso, o jamais haver concebido, bem como as promessas convencionadas pelos ritos da moral, as quais não tomei parte, mas que virão, e com a força de um grito, ao menor aviso de um jorro maldito haverão de subitamente desvanecer.