Tomava aviões com fúria - portando certa fissura da verdade. Entre um balcão e outro, escolhia os destinos de forma aleatória. Era preciso que houvesse movimento. Acumulavam-se em pilhas as correspondências nunca enviadas - e que se não foram, por que haveriam de ser? Foi quando, perdido por entre as brocas no clube esfumaçado, veio-lhe a certeza afiada: haveria de voltar a amar com convicção. Mas a bela rapariga de ar egípcio capturava-lhe a dúvida num mero clique. Também, pudera: por mais que tentasse não fugiria ao papel que por tanto tempo desempenhara. Questões de destino. E deliciava-lhe (embora não assumisse) que ali estivesse, entre os que adorava e os que o adoravam, deleitado no fascínio que exercia. Regozijava-se. Um verdadeiro séquito a bajular-lhe com ênfase. Um risinho de escárnio a abafar a infinidade de dentes.
