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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

ÍNCUBO MODERNISTA


Eu te deduzo com o pouco que tenho.
Eu te confundo com tudo o que posso.
Pouco a pouco te seduzo lento.
Eu te sevicio com múltiplas perguntas.
Eu te provoco e te alicio.
Eu te suplico por grandes respostas
e te encurralo contra todos os cantos.
Aos quatro ventos canto o teu nome.
Desenfreado, grito o teu nome nas esquinas.
E o meu grito reverbera pelas vielas.
Para que em cada curva tu te dês comigo.
Sem o menor aviso.
A cada manhã em que te acorrento
ao meu corpo. Sem que notes.
Eu te atormento, eu te vicio.
Eu te descontruo.

Sou eu que sento contra o teu peito
e te insuflo certos pesadelos.
Pouco a pouco arranco de ti o ar.
Eu te inflamo e te explico
a atualíssima história de nosso passado.
Eu te desafio com a minha existência.
Fera acuada contra as paredes.
Te encurralo entre as meias-verdades
e te persigo pelos caminhos de terra
coletando uma a uma as tuas pegadas.
Levo nas mangas os piores feitiços
daqueles que fazem ensandecer
em sonho. Arder pelas madrugadas.
Sou eu que te instigo. Que te intrigo.
Eu te incito e te assedio.
Eu te desmistifico.