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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

MÉTRICA


             (p/ Virginio)


Mede a tua loucura
com a minha
Ao que invento, à ti,
uma voz qualquer
Como se tu fosses Rimbaud
eu fosse Verlaine
e beijássemos a forca
com terna devoção

Que gosto tem a miragem?
De que matéria é feita?
Aqui, nesta tundra 
Não poderia explicar-te
(Mas se tentasse,
pareceria mais louco
ou menos louco?)
Sei tanto quanto tu

Sou como
o viajante que vê na miragem
tudo aquilo o que quer ver
Lagos e mais lagos
que não aplacam a sede
Mas contempla, maravilhado,
o êxtase da fantasia
E atravessa o oásis inventado
munido de uma quase ousada timidez

Portanto, tranfere para mim
tudo o que tiveres de sobra
Sombras, resíduos, réstia de sol
Restos de tudo
E eu reservo à ti
o que vinha mantendo oculto:
tardes, sombras, iluminações

Parceiros no crime
de estar sendo ou de ter sido
ou de nunca chegar a ser, talvez
Serias exatamente como sou?
Amálgama que não se distingue
nas alquimias do verbo e da carne?

Não sei:
assumo este ingênuo caráter
de viver só o irreal das coisas
enquanto meço a minha loucura
com a tua, despreocupadamente.