apenas para músculos.
E ferro. E fibra.
Nada sabe a respeito de existencialismos.
Ignora as tragédias gregas.
Troça da poesia.
um peito arfante. Num eterno resfolegar.
Atravessando a nado um rio de suores.
Nunca procurou por símbolos ocultos
nos sonhos vespertinos. Nem perdeu noites
a redigir cartas que não seriam entregues.
E nem pretende fazê-lo.
Em sua vida só há espaço para o sangue.
A bravura, a sucessão de vitórias.
O impulso físico, o rompante.
O mais ágil reflexo de si.
Cobiço para mim a grossa casca
que o envolve
e que o veste tão bem.
Natural ao ponto de fazer-me deselegante.
Eu, tão alinhadamente comedido.
Tão intacto. E preocupado
com as medidas das palavras.
Sinto por ele uma inveja sem consolo:
pensa pouco, e, por isto, sofre tão pouco.
Não percebe e nem se aperceberá
no fulgor de sua própria ignorância
da bênção de ser o que já é.
Sem requinte algum.
E acontecer como acontece o fogo.
