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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"
Doso, fervo, fermento,
destilo, diluo e torno a ferver:
esta é a alquimia das palavras.
Matéria hermética.
Quem procurar pelo sentido exato
estará fadado ao fracasso.
Assim como eu
nunca estou muito certo
do que digo.
Percebe?

Tento encontrar o sentido exato
para além daquilo o que as palavras
podem exprimir. Mas o simples gesto
de concentrar-me nisto faz com que eu
me distraia daquilo que pretendia que fosse
 o intento da procura. E acabo por perder-me
antes mesmo de começar a burlar os limites
da palavra. Assim, vejo-me exposto. Porque
denuncio as minhas intenções com aquilo o
que não digo, e o que digo, por fim, fica só
a parecer com uma maquiagem por cima de
uma outra coisa ainda. Quero dizer sensações
para as  quais ainda não encontrei
as palavras certas.
Por exemplo, a sensação de ir desvendando
os entremeios de alguém sem que ninguém
tome conhecimento disto. Que deve ter algo
de semelhante com a sensação de se deparar
com um mistério secular, intacto, dentro duma
câmara soterrada. Eu quero descrever o que não
se descreve, por real impossibilidade ou por falta
de um sentido exato: um deserto; um quasar distante;
um jorro vivo de inspiração. Perdoa-me pela tentativa.
Só quem já se perdeu ao tentar descrever o indes-
critível é que pode conhecer a sua real dimensão.