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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

PREMISSAS

Moldam-se
os grandes.
Refazem-se
os ídolos de pedra.
Nesta geração do limbo
ou no limbo desta geração.

Eis o mais lívido desespero
já captado em vídeo.
Produto televisivo
da mais alta definição.
Eis uma arena romana.
Eis uma obra-prima.

A realidade 
acontecendo em volta.
Prestes a acontecer. 
Quase que acontece.
Aconteceu: nem vi passar.
Quando dei por mim, 
já era manhã seguinte.
Perdi o lance.
Perdi a festa inteira.

Mas amanhã 
haverão outras notícias,
mais jovens e mais frescas,
e é por isto que não me importo
com o sofrimento de ninguém.
(Há tanto que sofrem mais
a todos os instantes, 
que não é possível haver,
dentre as dores, alguma que seja 
a maior de todas)

Convenço-me fácil.
Sou pouco inteligente.
Aguardo por um futuro brilhante
como o que mamãe, vidente,
previu para mim. 
Prostro-me entre os grandes
admirando-os ou invejando-os
distraindo-me do pensamento
de que o sol não se reserva à mim.

Tenho na língua 
uma tréplica aguda:
sou produto de geração gasta.
Toda revisitada de antemão.
Prevista por teoristas e profetas
como sendo a geração do fim.
Fim do que - de quem - não me pergunte.
Reproduzo apenas o que ouvi dizer.

Desta geração
os analistas não dão conta.
As ciências não mais concluem.
As religiões, por fim, se calaram.
São três as premissas:
O passado é uma casca solta;
O futuro é uma granada-relógio;
E o presente é só o intervalo de tempo
entre uma coisa e outra.

Mas há tantos a sonhar
com tanto ênfase...
 Molda-se os grandes novamente.
E os menores, coitados,
que adequem-se
às novíssimas proporções.