Moldam-se
os grandes.
os grandes.
Refazem-se
os ídolos de pedra.
Nesta geração do limbo
os ídolos de pedra.
Nesta geração do limbo
ou no limbo desta geração.
Eis o mais lívido desespero
Eis o mais lívido desespero
já captado em vídeo.
Produto televisivo
da mais alta definição.
Eis uma arena romana.
Eis uma obra-prima.
A realidade
Eis uma arena romana.
Eis uma obra-prima.
A realidade
acontecendo em volta.
Prestes a acontecer.
Quase que acontece.
Aconteceu: nem vi passar.
Quando dei por mim,
já era manhã seguinte.
Perdi o lance.
Perdi a festa inteira.
Perdi a festa inteira.
Mas amanhã
haverão outras notícias,
mais jovens e mais frescas,
e é por isto que não me importo
com o sofrimento de ninguém.
(Há tanto que sofrem mais
a todos os instantes,
que não é possível haver,
dentre as dores, alguma que seja
a maior de todas)
Convenço-me fácil.
Sou pouco inteligente.
Aguardo por um futuro brilhante
como o que mamãe, vidente,
previu para mim.
previu para mim.
Prostro-me entre os grandes
admirando-os ou invejando-os
distraindo-me do pensamento
de que o sol não se reserva à mim.
Tenho na língua
uma tréplica aguda:
sou produto de geração gasta.
Toda revisitada de antemão.
Prevista por teoristas e profetas
como sendo a geração do fim.
Fim do que - de quem - não me pergunte.
Reproduzo apenas o que ouvi dizer.
Desta geração
os analistas não dão conta.
As ciências não mais concluem.
As religiões, por fim, se calaram.
São três as premissas:
O passado é uma casca solta;
os analistas não dão conta.
As ciências não mais concluem.
As religiões, por fim, se calaram.
São três as premissas:
O passado é uma casca solta;
O futuro é uma granada-relógio;
E o presente é só o intervalo de tempo
entre uma coisa e outra.
Mas há tantos a sonhar
com tanto ênfase...
Molda-se os grandes novamente.
E o presente é só o intervalo de tempo
entre uma coisa e outra.
Mas há tantos a sonhar
com tanto ênfase...
Molda-se os grandes novamente.
E os menores, coitados,
que adequem-se
que adequem-se
às novíssimas proporções.
