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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

O PIOR DE TODOS

Como é pobre o poeta.
Detém em si todas as vaidades.
Vive de mitos, parábolas
e frases roubadas.

Dentre todas as artes
e aqueles que as exercem,
o mais fútil, em definitivo,
é o poeta. O mais desnecessário.
Aquele que sonha os sonhos mais vãos.
E habita os poços mais tapados.

A poesia, não: esta é matéria vital.
Mas o poeta é um instrumento falho.
Um contrabaixo com uma corda faltante,
incapaz de reproduzir as devidas notas.

À ele é concedida
certa visão única das coisas,
o que ora lhe cega e ora lhe enleva
sem conduzir-lhe a parte alguma.
Fraqueja quando se propõe a viver
as coisas que imagina e escreve.

Por suas brumosas convicções,
o poeta é o pior de todos.

Porta-voz
de qualquer coisa?
Faz-me rir! O poeta não passa
de uma antena de praça.
Adorno espalhafatoso de um tempo.
Empoeirada alegoria de outros carnavais,
esquecida entre as demais novidades.

O poeta é uma piada
de mau-gosto. Um antiquado
vestido de tafetá.