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Poeta catarinense
com dedos podres
e mania de flâneur

Autor de "Cá Entre Nós -
Odes de Alusão e Ilusão"

SOLENIDADE

Que permaneçam de pé os eternos insatisfeitos.
Os sempre-em-movimento.
Ávidos pelo o que não podem conter.
Soberanos ou escravos de suas angústias.

Ergam acima de si
seus combustíveis de viagem.
Suas armas. Seus estoques de sensações
(Pois têm fome de tudo)

Que tenham sangue e músculos para os longos percursos.
Estômago e vigor para que os suportem com sanidade.
O que verão, senhores, na certa haverá de apavorar-lhes.
Ofender-lhes a inteligência de modo irreversível.
Mas é preciso que resistam. Que confrontem.

Que permaneçam despertos e atentos
para com os males deste sono contemporâneo.
Impregnado na sutil mediocridade das massas.
Na sinfonia ridícula dos rebanhos.
Na empáfia do senso comum.

Que, sempre altivos,
façam do imperfeito a sua obra-prima.
Que, sempre valentes, obtenham de seus esforços
nada menos que sua próprias virtudes vivas.
E que permaneçam como que em estado de graça
perdidos ou prestes a encontrarem-se.
Permaneçam de pé.

Pequenos arteiros alquímicos desta missa às avessas.
Passionais prestes a explodir, ergam seus rostos!
Estranhos, ruidosos e criativos. 
Todos caçadores do instante seguinte.

Combatamos a modorra, a mesquinharia existencial,
as tradições impostas, o provincianismo da maioria,
Cavalguemos pelas frestas da noite,
e adormeçamos só ao despontar do sol.
A noite haverá de ser longa
e haverão outras depois dela.

Vivamos. Acima de tudo, vivamos
sempre leais aos nossos próprios preceitos.
Pois há lá fora um Amanhã que não se alcança.
E que nos espera, inquieto por acontecer.